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September 22, 2024

King Vamp - TRON review

O King Vamp senta-se no topo de um castelo construído nas trevas a pintar um quadro, mais especificamente pinta uma caricatura; idealiza que ao expô-la, levará as pessoas dos Montes Cárpatos a tomar ações que as prejudiquem, a partir de algo que tem origem num espaço desenhado puramente por si e para si. Conta ainda com um segredo, um truque: o quadro era desprovido de qualquer significado mas a sua imagem provocava uma reacção violenta e imediata.
O efeito foi explosivo e a cidade foi tomada de assalto por revolta e raiva e angústia e uma série de cenas de pancadaria, mortes e violações aterrorizaram a população... enquanto tudo isto acontecia, uma gargalhada sinistra percorria o ar frio, vinda do topo do castelo.
É nesta história e nesta tela que encontramos uma metáfora para os tempos modernos e digitais, é pois necessário um monstro Draculiano para evidenciar que todos os cidadãos deixaram escorrer para as suas vidas pessoais a informação que obtêm em momentos de interação com o virtual e de natureza discreta, esses aparentes Diracs com que a Big Tech e Moloch nos obriga a ver cada vez mais de longe o detalhe das coisas bonitas de forma a parecerem formar um continuo sinusoidal cujo offset se pode controlar de acordo com as suas vontades não biológicas; uma verdadeira doença pintada na tela dos nossos ecrãs e que tomou a forma de um vírus que saltou a barreira do universo digital há largos anos. Peço ao leitor uma pausa para nos rirmos juntos da grande tristeza que é já não haver retorno desse mundo estranho em que nos injetámos (dopamina na veia, o tik tok é tempo na cadeia) TOA¹ a TOA e tão à toa, ignorando com o pincel babado de preto os decretos que nos tornaram prisioneiros de tais termos ingratos, aceites com o polegar em cada passo dado em direção ao abismo da (ainda?) natural e pseudo-Terrena e misteriosa nova condição humana.

¹ TOA - Terms of Agreement